Há mais portugueses a ler e o mercado livreiro cresceu, mas um em cada cinco leitores não compra livros e a pirataria preocupa o setor.
A conclusão consta de um estudo sobre hábitos de leitura e comprar de livros apresentado na abertura da conferência BOOK 2.0, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, promovida pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL).
Nas palavras do presidente da APEL, Miguel Pauseiro, “a pirataria preocupa pelo impacto que tem em toda a cadeia do livro”.
Afetados são “o trabalho de autores, tradutores, editores”, apontou o responsável apontando a necessidade de uma resposta “ampla e concertada”.
“Começa pela sensibilização para o valor do livro e pelo respeito pelos direitos de quem o cria. Passa também pela adaptação do setor às novas formas de consumo, com ofertas digitais acessíveis, convenientes, competitivas e seguras. Exige igualmente mecanismos eficazes de identificação de infrações, remoção de conteúdos ilegais e responsabilização de quem viola os direitos dos titulares”, indicou.
O estudo promovido pela APEL indica que “entre os leitores digitais, 68% recorre a conteúdos gratuitos. Dos que descarregam livros gratuitamente, 64% utiliza plataformas de armazenamento em cloud, 30% recorre ao WhatsApp e 15% ao Telegram”.
Segundo os editores e livreiros “estes canais podem incluir utilizações legítimas – como empréstimos autorizados, obras em acesso aberto ou partilha pessoal de ficheiros –, mas são também compatíveis com a partilha ilegal e não autorizada de conteúdos”
Uma capital portuguesa do livro e da leitura
O estudo indica que os portugueses estão a regressar aos livros. O mercado está 17 por cento acima de 2023, mas a recuperação “ainda é incompleta”, sublinham os dados da GfK. “Compram-se menos livros por pessoa e a leitura continua a lutar por tempo e atenção”.
Face a estes dados, o presidente da APEL defendeu na abertura do BOOK 2.0 uma maior “consolidação do programa do Cheque-Livro, o alargamento da dedução IRS do IVA suportado na compra de livros de 15% para 100%”
Miguel Pauseiro que apontou ainda a necessidade de uma “ambição renovada” com o “reforço do papel das bibliotecas escolares e públicas”, defendeu também a necessidade de “apoios à abertura de livrarias, nomeadamente em edifícios do Estado ou de autarquias, e ao desenvolvimento das já existentes, através de benefícios fiscais”.
O presidente da APEL referiu ainda a necessidade de “criação da iniciativa Capital Portuguesa do Livro e da Leitura em regime rotativo, mediante candidatura” e a “realização de um Ano Nacional da Leitura”.
Medidas mobilizadoras nas palavras de Miguel Pauseiro que visam “reforçar as condições de sustentabilidade e de inovação do setor”. O presidente da APEL voltou ainda a defender “a revisão da Lei do Preço Fixo do Livro”.
Lê-se mais em digital
O estudo “Hábitos de Compra e Leitura em Portugal”, desenvolvido pela Nielsen | GfK mostra que “78 por cento dos portugueses com 15 ou mais anos afirma ter lido pelo menos um livro em 2025, o valor mais elevado dos últimos três anos”.
“O índice de leitura subiu de 73% em 2023, para 76% em 2024 e 78% em 2025. Em média, cada leitor contabilizou 8 livros ao longo do ano, superando os 7,2 registados em 2024 e os 7,9 de 2023”, detalha o estudo.
Outro dos dados avançados revelam uma mudança no mercado. A “compra de livros digitais quase duplicou desde 2023 (de 10% para 19%). O formato digital é utilizado por 22% dos portugueses, acima dos 17% registados em 2023, embora estável face a 2024”.
O suporte de leitura digital com recurso a “e-reader” ganha terreno num mercado até aqui resistente a essa mudança. Contudo, o estudo indica que em Portugal, “o papel continua a dominar”. “92 por cento dos leitores prefere o suporte físico e 95% dos compradores adquiriram livros impressos. Também as livrarias e lojas físicas preservam uma posição central, utilizadas por 86% dos compradores, enquanto as lojas online representam 47%”.
Nos dados avançados nesta conferência de dois dias que junta no CCB vários representantes do setor, foi também avançado que “a média de livros adquiridos por pessoa subiu de 3,9 para 4,1, mas permanece abaixo dos 4,8 de 2023. A média de livros adquiridos por comprador continua a diminuir: passou de 7,5 livros em 2023 para 7 em 2024 e 6,9 em 2025”.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: Hugo Delgado / Lusa