Antiga Moagem de Faro transforma-se Mar Adentro com 200 apartamentos a concluir até 2029

A mítica Fábrica da Moagem, uma unidade industrial abandonada há décadas na baixa de Faro, vai dar lugar ao projeto imobiliário Mar Adentro, com cerca de 200 apartamentos de tipologia T0 a T4 e conclusão global prevista para final de 2029, de acordo com o seu promotor, que promete um número «significativo» de unidades com «valor moderado».

Já arrancou, há algumas semanas, a demolição do espaço da antiga Companhia de Moagem Farense, situado junto à estação ferroviária da capital algarvia.

A obra põe fim a um dos principais patrimónios industriais da cidade, devoluto desde a década de 1980 do século passado – ainda que uma parte do imóvel, a primeira a ir abaixo, tenha sido, durante alguns anos, sede da Associação Recreativa e Cultural de Músicos. Resistem ainda os velhos silos, que em breve também serão apenas memória do passado.

O projeto imobiliário para aquela zona nobre de Faro, à beira da Ria Formosa, foi desenvolvido na última década e esteve prestes a avançar, antes da pandemia de Covid-19, com um outro promotor, o Vilamoura XXI, que o vendeu à Lantia por verba não especificada.

«Face ao tempo que passou», refere o CEO (diretor executivo) da empresa, Eduardo Kol Netto de Almeida, numa resposta escrita enviada ao Sul Informação, o projeto foi «atualizado com o objetivo de o tornar mais atual e mais apelativo para os potenciais clientes, os farenses e a cidade de Faro».

Essa modernização está a cargo da Broadway Malyan, com um conceito que «parte do legado histórico da antiga fábrica e da sua localização singular» e concilia a «memória do lugar com uma nova frente urbana, beneficiando das vistas para a Ria Formosa e da proximidade» ao centro histórico.

Uma relação que explica também o nome atribuído ao projeto, Mar Adentro, com o qual se pretende evocar «a proximidade ao mar e as vistas para a Ria Formosa, homenageando o centro histórico de Faro (“Vila Adentro”)».

O objetivo, diz o CEO da Lantia, é «reabilitar integralmente o quarteirão da antiga Moagem», devolvendo-lhe, e à sua envolvente, «vida, qualidade urbana e uma nova centralidade», o que contribuirá para «a valorização desta zona e da cidade, melhorando a experiência quotidiana de quem ali vive, trabalha e circula».

Estão previstos «cinco edifícios, num total de cerca de 200 apartamentos, com tipologias que vão desde o T0 até ao T4», enquanto «a icónica imagem dos silos será objeto de evocação», acrescenta Eduardo Kol Netto de Almeida.

O projeto inclui garagens e arrecadações em cave para os apartamentos, zonas de lazer, como piscinas, ginásio e áreas de coworking, e percursos pedonais e espaços exteriores (terraços, varandas, jardins), «pensados para melhorar a vivência urbana envolvente».

A empresa aponta ainda que o Mar Adentro vai responder a «padrões elevados de sustentabilidade» em áreas como eficiência energética, gestão de água, materiais, resíduos, conforto e qualidade do ar interior e impacto global do edifício.

Será reabilitado o espaço público envolvente, com «organização do estacionamento e infraestruturas de apoio, incluindo soluções mais eficientes para recolha de resíduos urbanos».

Por outro lado, o CEO da Lantia revela ao Sul Informação que «não estão previstas áreas comerciais».

O projeto, que responde aos «objetivos de requalificação urbana e ambiental de grande importância para a cidade», será desenvolvido por fases e a calendarização da empresa «aponta para a conclusão global até ao final de 2029».

Questionado sobre o custo dos apartamentos, Eduardo Kol Netto de Almeida sustenta que «comportará um número significativo de unidades enquadradas na habitação a valor moderado», sem especificar preços.

A comercialização da primeira fase deste projeto só avançará «no final do Verão deste ano» e, até lá, serão definidos os preços de venda.

Este será, de resto, o primeiro investimento fora de Lisboa da Lantia, promotor imobiliário que até agora só tinha apostado em projetos residenciais de média dimensão na capital portuguesa.

«Ao longo de mais de uma década, a Lantia tem procurado projetos que sejam relevantes para as populações e transformadores para a cidade. Percebemos rapidamente que a reabilitação da antiga Moagem tem um significado muito especial para Faro e para a região, e isso foi determinante para investirmos no Algarve», conclui o CEO da empresa.

Fonte: www.sulinformacao.pt

Crédito da imagem: Edgar Pires