O Turismo de Portugal acaba de lançar o procedimento para arrendamento, por um período de 50 anos, com opção de compra, do Hotel Turismo da Guarda, com vista à realização de obras e posterior exploração para fins turísticos como estabelecimento hoteleiro com a classificação mínima de quatro estrelas, fixando uma renda mensal mínima de 3.858,34 euros para o futuro concessionário.
Trata-se de mais uma tentativa do Turismo de Portugal de valorizar o património e reforçar a oferta turística qualificada na região. O Hotel Turismo da Guarda localiza-se na mais alta cidade portuguesa, capital do distrito da Guarda, em plena Beira Alta, a nordeste do Parque Natural da Serra da Estrela.
O edifício foi projetado por Vasco Regaleira sob orientação do ministro Duarte Pacheco em 1936 e, tendo sido construído de raiz como uma unidade hoteleira de referência para a região, o Hotel Turismo da Guarda, conforme lembra o Turismo de Portugal, possui uma localização privilegiada em pleno centro da cidade com acesso às principais vias de comunicação regionais, A25 e A23, permitindo um acesso facilitado à fronteira de Vilar Formoso (30 minutos) e, dessa forma, à cidade de Salamanca (1h50m).
Está também a cerca de 60 km da cidade de Viseu, a 100 km de Castelo Branco, e a 2 horas de distância do aeroporto internacional Francisco Sá Carneiro.
O contrato de arrendamento terá a duração de 50 anos. A partir do quarto ano, o arrendatário poderá acionar a opção de compra, mediante o pagamento de cerca de 6,8 milhões de euros. Segundo o Turismo de Portugal, este valor integra o preço de mercado do imóvel após reabilitação, deduzido do investimento estimado em obras e acrescido das rendas atualizadas até ao final da concessão.
As candidaturas devem ser entregues no Turismo de Portugal, I.P., com sede na Rua Ivone Silva, Lote 6, 1050-124 Lisboa, até às 17h00 do 40.º dia a contar da data da publicação do anúncio, que aconteceu no passado dia 31 de março, e no período compreendido entre as 09h30 e as 12h30 e as 14h00 e as 17h00.
O caderno de encargos impõe a preservação da traça original do imóvel. As intervenções deverão respeitar critérios rigorosos de conservação, sendo proibidas alterações volumétricas, modificações das fachadas ou mudanças estruturais que comprometam a coerência arquitetónica do edifício.
O Turismo de Portugal sublinha ainda a necessidade de recuperar elementos arquitetónicos entretanto descaracterizados, corrigindo intervenções posteriores consideradas pouco qualificadas.
Inaugurado em 1947, o Hotel Turismo da Guarda encerrou em outubro de 2010. No ano seguinte, foi adquirido ao município pelo Turismo de Portugal, que previa um investimento de cerca de 10 milhões de euros para a instalação de uma Escola de Hotelaria e de um hotel de aplicação, projeto abandonado em 2012.
Desde então, o imóvel integrou o programa Revive, registando três tentativas falhadas de concessão entre 2017 e 2021. Em 2023, foi integrado na rede das Pousadas de Portugal, mas o contrato celebrado com a ENATUR acabou por ser revogado por mútuo acordo em dezembro do ano passado.
Entretanto, o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, e o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, estiveram no Hotel Turismo da Guarda, na semana passada, para anunciar, na presença do presidente da Câmara da Guarda, o lançamento do concurso.
Na ocasião, Carlos Abade afirmou que “o Turismo de Portugal está em condições de anunciar o lançamento do procedimento para a recolha de propostas para o arrendamento do hotel durante um período de 50 anos, com opção de compra a partir do quarto ano – uma novidade relativamente aos concursos anteriores, mas que gera maior apetite ao concurso”.
O presidente do Turismo de Portugal disse acreditar que “até ao final de maio pode ser feita a adjudicação, apresentação e aprovação do projeto”, para uma obra que pode durar entre 18 e 24 meses.
Por sua vez, Pedro Machado lamentou que todo o processo do emblemático hotel da cidade mais alta tenha “demorado mais do que eu próprio contava”, mas ainda assim, disse estar convencido que “este concurso, nestas condições, vai atrair empresários com interesses na operação”.
Apesar de não se terem concretizado várias buscas de soluções para este imóvel, o governante admite ter conhecimento de “vários grupos hoteleiros que procuram um espaço com as características” do Hotel Turismo.
Sérgio Costa, presidente da Câmara da Guarda, sublinhou que, com este anúncio do concurso público, “já conseguimos ver alguma luz ao fundo do túnel, mas só descansaremos quando estivermos aqui para inaugurar o Hotel Turismo”.
Fonte e crédito da imagem: www.publituris.pt