O Estado de Minas Gerais, Brasil, veio a Lisboa mostrar-se num evento na Casa da América Latina, organizado pela Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais.
Num estado com mais de 21 milhões de habitantes e com uma dimensão maior que França, a chave para dar a conhecer o destino está no branding e promoção, revelaram os diversos intervenientes na 1.ª Conferência de Turismo de Negócios de Minas Gerais realizada no nosso país.
Quando se fala do Brasil turístico, por norma, é o produto sol e praia que vem, desde logo, à cabeça de qualquer viajante, seguido do Carnaval do Rio de Janeiro.
Foi essa visão que a 1.ª Conferência de Turismo de Negócios de Minas Gerais pretendeu contrapor, num evento realizado nesta segunda-feira (27) na Casa da América Latina (CAL), em Lisboa, e na qual Miguel Jerónimo, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais (CPCBMG), começou, desde logo, por admitir que “Portugal é e deverá ser uma porta de entrada de Minas Gerais para a Europa”.
Num estado, cuja dimensão é superior a França, Miguel Jerónimo, que ocupou anteriormente o cargo de diretor da Embratur nos EUA, admitiu que “Minas Gerais não tem, de facto, praia, mas é muito rica na cultura, no património, na natureza e na gastronomia”, salientando que o trabalho da CPCBMG passa por “engajar o Governo do estado de Minas Gerais, a Embratur, a Secretaria de Cultura e Turismo do Estado de Minas Gerais a mostrar a riqueza de todo o Estado ao mundo”.
Fazendo referência ao voo direto diário que a TAP realiza para o aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, Miguel Jerónimo frisou que “o voo está sempre cheio, o que é uma evidência do sucesso da rota e do potencial que existe e que tem de ser explorado. Até porque visitar Minas Gerais é visitar um pouco de Portugal no outro lado do Atlântico”.
De resto, essa foi uma questão levantada no primeiro painel que compôs a conferência e Luis Felipe Rosa, conselheiro e chefe do Setor de Promoção Comercial da Embaixada do Brasil em Portugal, aproveitou para explicar “as conexões culturais que existem entre os dois países [Brasil e Portugal] através de uma grande afinidade histórica e cultural”.
De acordo com os números avançados por Luis Felipe Rosa, com base na Secretaria de Comunicação Social (SECOM), órgão que compõe a Presidência da República, em 2025, foram 12 mil os portugueses que viajaram até Minas Gerais, tornando-o no principal mercado emissor para o estado brasileiro.
O responsável adiantou ainda que, no ano passado, 273 mil turistas portugueses visitaram um Brasil – país que registou um novo recorde com 9,3 milhões de turistas internacionais -, correspondendo a um aumento de 25% face a 2024, verificando-se que, no primeiro trimestre de 2026, esse número já ultrapassou os 115 mil, ou seja, um crescimento de 48% face aos primeiros três meses de 2025.

Larissa Ushizima, executiva de negócios da Embratur em Portugal, considerou Portugal como “um mercado essencial para o Brasil e para Minas Gerais”
Portugal como mercado essencial para o Brasil e Minas Gerais
Os dados foram, aliás, confirmados por Larissa Ushizima, executiva de negócios da Embratur em Portugal, considerando Portugal como “um mercado essencial para o Brasil e para Minas Gerais”.
Portugal aparece em segundo lugar nos mercados emissores europeus para o Brasil, só ultrapassado pela França (293 mil turistas), mas longe do líder (Argentina) com mais de 3,4 milhões de turistas e do Chile (com mais de 800 mil turistas).
E sendo a Embratur a entidade para a promoção do Brasil no exterior, Larissa Ushizima, admitiu que “a promoção é mesmo o maior desafio. Todo o mundo conhece o Rio de Janeiro, São Paulo, as praias magníficas do Brasil, mas quando falamos de Minas Gerais, ainda são poucos os turistas que se sentem atraídos pelo destino”.
Por isso, uma das estratégias da Embratur passa por afirmar Minas Gerais como um destino MICE, acrescentando a responsável da Embratur no nosso país, um outro “E” a MICE (Meeting, Incentive, Conference, Exhibition), assumindo a sigla MICEE, já que o segundo “E” significa “Entertainment” (Entertenimento).
“O MICE tem um grande potencial para Minas Gerais e queremos que, uma vez que se trata de um segmento que movimenta destinos ao longo de todo o ano e reduz a sazonalidade do turismo. Além disso, trata-se de um turista que gasta, em média, três vezes mais que o turista de lazer, uma vez que é um viajante com alto poder de compra”.
Daí Larissa Ushizima destacar o programa APOIO a Belo Horizonte e que tem como objetivo levar para a cidade a Junior Entreprises World Conference 2026, maior evento global de empreendedorismo universitário, reunindo jovens líderes de mais de 40 países para networking, capacitação e inovação no movimento de empresas juniores.
À margem da conferência, Larissa Ushizima admitiu que este evento é “uma primeira aproximação de Minas Gerais ao mercado português”, embora reconheça que a promoção “é muito para nicho, um destino customizado para um determinado viajante”.
Por isso, admite que “é preciso conhecer o perfil de viajante, conseguir customizar a experiência para esse mesmo perfil de viajante, fazendo com que, quem viaje para o Rio ou para São Paulo, coloque Minas Gerais no roteiro como uma espécie de segundo destino cultural”.
Contudo, e como foi salientado durante a primeira parte da conferência, a operação aérea [o preço da milha aérea para o Brasil é o mais caro a nível mundial] “é o nosso principal desafio”, embora reconheça tratar-se de “um desafio global”.
Larissa Ushizima destacou, contudo, as conversas que tem tido com grandes operadores turísticos portugueses, afirmando que “o feedback está em alta. O viajante está, atualmente, com medo de ir para o Médio Oriente, e hoje olha para o Brasil como um destino alternativo. Então, trabalhamos com essa tendência e é, precisamente aí, que tentamos mostrar outros e mais destinos que o Brasil oferece ao turista, onde se inclui, claramente, Minas Gerais”.
E aí, a responsável da Embratur no nosso país destaca a procura por “uma gastronomia de excelência, cultura, património e natureza”, mas também outros produtos como o maior museu a céu aberto do mundo – Inhotim” -, localizado em Brumadinho, Minas Gerais, mas, também, a Estrada Real, maior rota turística do Brasil, com mais de 1.630 quilómetros, ligando Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, criada no século XVII para o escoamento de ouro e diamantes.
Mas também os vinhos, o café, sendo Minas Gerais o maior produtor mundial, e a cerveja artesanal são produtos que devem ser promovidos turisticamente. Daí, salientar que, “temos de trabalhar na sensibilização para e com a imprensa e influencers, e promover Minas Gerais para além do óbvio”, dando como exemplo a Alemanha, mercado de luxo alvo da Embratur.
Regressando, no entanto, ao mercado português, Larissa Ushizima diz-se “animada com os números dos turistas portugueses para o Brasil no primeiro bimestre de 2026. Registamos um crescimento de 20% nos primeiros dois meses e o feedback que temos recebido dos operadores aqui em Portugal é que, de facto, se trata de um ano recorde”.
Confrontada com o facto levantado por diversos oradores, nomeadamente, Marden Couto, representante da empresa Turismo de Minas, que “uma única participação na BTL 2026 não chega para colocar minas Gerais no mapa dos viajantes portugueses”, a representante da Embratur em Portugal reconheceu que é preciso um trabalho “contínuo”, até porque, segundo salientou Marden, “a concorrência é muito forte, não só interna como externa.
A BTL são cinco dias, o que quer dizer que tem mais 360 dias em que é preciso comunicar e promover o destino num ano”.

Museu Inhotim: é no estado de Minas Gerais que fica localizado o maior museu a céu aberto do mundo
Uma “potência” chamada Minas Gerais
O segundo painel da 1.ª Conferência de Turismo de Negócios de Minas Gerais, em Portugal, arrancou logo com uma afirmação que não deixou dúvidas: “não existe Brasil sem Minas Gerais”.
Ivan Pinto, representando em Lisboa da Agência de Promoção de Investimento do Governo do estado de Minas Gerais (Invest Minas), lembrou que o estado de Minas Gerais é a terceira economia mais importante do Brasil (atrás de São Paulo e Rio de Janeiro), referindo que o turismo foi “dos setores mais impactados pela desburocratização levada a cabo pelo Governo Central e Estadual”, fazendo com que seja “mais fácil investir em Minas Gerais”.
Prova disso, foi o testemunho deixado por Pedro Ribeiro, diretor de Marketing e Vendas do Grupo Vila Galé, que fez questão de mostrar o que o grupo português, liderado por Jorge Rebelo de Almeida, fez no Brasil e que está bem patente no Vila Galé Collection Ouro Preto. “O investimento em Ouro Preto veio de um olhar para os fluxos turísticos e o que concluímos no grupo Vila Galé, é que se trata de um destino com grande potencial”, salientou Pedro Ribeiro.
Contudo, o diretor de Marketing e Vendas do Grupo Vila Galé reconheceu também, que “é um destino que tem muito por onde crescer, mas que precisa de criar conteúdo, de ter um storytelling apelativo e encaixá-lo num orçamento de marketing que, sem ele, será muito difícil promover Minas Gerais”.
Questionado sobre se “é difícil investir no Brasil”, Pedro Ribeiro respondeu com a afirmação “como não é difícil investir no Brasil, demonstrado, de resto, pelos 11 meses que demorou a construção do último hotel do grupo português do outro lado do Atlântico.
A fechar a conferência, o Embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, reforçou a “importância da conectividade entre os dois países”, referindo as 15 ligações diárias da TAP com o Brasil que, contudo, “não são suficientes”.
Por último, o Embaixador do Brasil em Portugal ainda destacou a segurança que Minas Gerais oferece. “Muitas vezes somos confrontados com notícias que surgem nos media que causam receio, até medo, mas que não são verdadeiras. O Brasil e, em particular, Minas Gerais, são um destino seguro, mas que sofrem com notícias maliciosas. Ninguém ouve, por exemplo, notícias sobre o facto de Londres ser a capital mundial do roubo de telemóveis. Porque será?”.
Por isso, Raimundo Carreiro conclui a conferência com uma frase bem elucidativa de como Minas Gerais deve ser vista, promovida e comunicada: “Minas Gerais é uma potência”.
“Não é por acaso que Minas Gerais é o destino a visitar em 2026”
À margem da 1.ª Conferência de Turismo de Negócios de Minas Gerais, realizada em Portugal, o Publituris esteve à conversa com Miguel Jerónimo, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais (CPCBMG) que admitiu que os grandes desafios para Minas Gerais são “os voos e a promoção”.

Miguel Jerónimo, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais (CPCBMG), acredita que Portugal poderá e deverá ter um papel relevante na afirmação de Minas Gerais no mundo turístico
“Se for de Lisboa para São Paulo, o desvio para Minas Gerais”, salientando que “estamos a trabalhar com o Governo de Minas Gerais para podermos ver como é que se pode subsidiar de alguma forma para que os voos possam fiquem a um preço acessível”.
Já no que diz respeito à promoção, Miguel Jerónimo explica que “as pessoas, se não conhecem, se não sabem, se não é feita toda uma campanha junto da media, como é que as pessoas vão conhecer Minas Gerais?”, dando o exemplo dos mais recentes artigos publicados na Condé Nast e no New York Times que colocam Minas Gerais “como o destino a conhecer em 2026, em que se fala do feijão tropeiro, do queijo, houve uma sobre o queijo, do Museu Inhotim, que é o maior museu a céu aberto no mundo”.
“Estes são atrativos que as pessoas não conhecem e quem for ao Brasil, pode, perfeitamente, conhecer. Mas para isso, precisa de saber que lá estão e como ir”.
Por isso, reconhece que se trata de uma questão de “promoção, mas também de vontade, branding”, bem como “vontade política”, revelando que a CPCBMG está a trabalhar com o atual Governo brasileiro para avançar com “políticas que possam colocar Minas Gerais no mapa do turismo mundial, a começar por Portugal”.
Fonte e crédito da imagem: www.publituris.pt