Seguro pede aos jovens em Madrid que “não desistam” de Portugal e quer “melhorias” nos salários

No arranque da visita oficial a Espanha e tendo ao lado o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, o Presidente da República, António José Seguro, deixou alguns recados ao Governo sobre a necessidade de criar “melhorias” nas progressões de carreira e salários dos jovens que entram no mercado de trabalho e que, sem isso, se veem obrigados a emigrar, por exemplo, para o país vizinho.

No encontro que teve com jovens portugueses que estudam e trabalham em Espanha, que decorreu na residência do embaixador de Portugal em Madrid, Seguro ouviu várias queixas sobre as condições de vida e de habitação mais difíceis em Portugal que provocaram a saída país.

“Aquilo que posso retirar como síntese abusiva das nossas conversas é que Portugal é um país extraordinário para viver, mas que precisa de fazer umas melhorias para também ser um país extraordinário para se trabalhar. E isso é muito representativo em termos de progressões na carreira, salários”, referiu Seguro neste domingo (19) depois de breves momentos a falar com estes jovens.

A estes jovens trabalhadores e estudantes de várias áreas, como da indústria farmacêutica ou da cosmética, Seguro pediu mesmo: “Não desistam de Portugal, porque Portugal precisa muito, mas muito, dos jovens portugueses”, mostrando vontade de “perceber” as razões pelas quais estes portugueses saíram do país e se nos planos futuros “está a possibilidade de regressarem ao nosso país”.

Num dia espetacular de sol e de calor em Madrid, o Presidente da República ainda gracejou sobre as vantagens do clima português:

“Quero dizer-vos também que em Lisboa também estava ótimo, um bocadinho menos de vento, portanto, se tiverem de fazer alguma escolha com critério no clima, neste momento há uma vantagem a nosso favor”, disse Seguro arrancando gargalhadas da plateia de jovens que se manteve em pé no hall de entrada da residência do embaixador José Augusto Duarte.

Vincando que a sua primeira deslocação fora do país não foi escolhida ao acaso, Seguro admitiu que não inovou. “Apenas consolido aquilo que têm sido boas escolhas dos meus antecessores, no sentido de reafirmar estas relações, não apenas de vizinhança, mas de vizinhos que sabem estar, partilhar o espaço, em primeiro lugar desta Ibéria, mas também de projetar toda a nossa cooperação nos fóruns multilaterais, e em particular num projeto e numa comunidade que nos recebe muito bem, que é a União Europeia”.

Seguro segue assim os passos de Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva e Jorge Sampaio que escolheram Espanha como primeiro destino após a tomada de posse como Presidentes da República.

“A escolha de Espanha não é uma escolha ao acaso, é uma escolha que corresponde a este significado e, simultaneamente, consolidar estas relações entre Portugal e Espanha que se traduzem em frequentes relações bilaterais”.

São essas relações que o Presidente da República quer aprofundar. Aproveitando a presença do ministro Paulo Rangel ao seu lado, foi a oportunidade de Seguro deixar outro recado ao Governo. Existe uma “ampla relação comercial” entre Portugal e Espanha, mas também isso é preciso melhorar e aprofundar, no seu entender.

Seguro diz que gostava “muito” que as empresas portuguesas “tivessem uma penetração maior na economia e no mercado espanhol”, dizendo ainda que esse estímulo “é uma das preocupações” da presença do Presidente da República em Madrid com encontros previstos para esta segunda-feira com o Rei de Espanha, Felipe VI e com o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez.

Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal