A transportada Laso continua a levar as pás gigantes de 85 metros para os aerogeradores do maior parque eólico de Portugal que a Iberdrola está a construir entre os distritos de Braga e Vila Real. Estas deverão ser as últimas, uma vez que todos os transportes, das cerca de 110 pás, estavam previstos ficar concluídos até final de março.
Como O MINHO noticiou, o transporte das pás de 85 metros dos aerogeradores, que estão a ser instalados no Parque Eólico do Tâmega, está a ser feito com recurso a um “blade lifter”, sistema que permite contornar curvas apertadas e inclinações.
“Estamos a ver a instalação de uma pá de uma eólica. É a maior pá eólica que temos, de momento, em Portugal, são 85 metros de pá. É uma operação delicada, temos que ter muito controlo do vento, da operação em si, das gruas”, afirmou, no início de março, o gestor de construção da Iberdrola Renewables Portugal, Giancarlo Pedro.
iancarlo Pedro especificou que a operação demora mais de duas horas, desde a subida da pá pela grua até à sua instalação no ‘hub’, onde é preciso apertar 240 parafusos.
É uma espécie de puzzle gigante, um sistema modular. Os aerogeradores chegam às peças ao parque que são, depois, montadas no local. A máquina tem 114 metros de altura de torre, chegando aos 199 metros com a pá na vertical. Em termos comparativos, a torre Vasco da Gama, em Lisboa, tem uma altura de 145 metros.
A torre está dividida em cinco tramos, depois a ‘nacelle’ onde está instalado o “coração do sistema” (gerador e todo o equipamento mecânico da turbina), e, por fim o ‘hub’ que acopla a ‘nacelle’ e onde encaixam as três pás.
Até Cabeceiras de Basto o transporte é convencional
As pás vêm inteiras via Porto de Aveiro até Cabeceiras de Basto, e toda a logística de transporte obrigou a uma preparação “especial e demorada”.
Até Cabeceiras o transporte é convencional, mas depois, até Salto, a subida de 13 quilómetros é feita com recurso ao sistema ‘blade lifter’, um equipamento robusto, onde são fixadas as pás e que as permite rodar, na vertical ou horizontal, através de um mecanismo hidráulico onde a pá é acoplada para transporte e atinge inclinações de até ao máximo de 60 graus. É como uma espécie de elevador de pás.
Este sistema permite contornar curvas apertadas, inclinações e outros obstáculos, adaptando-se às estradas existentes. Para a sua passagem, foi necessário efetuar algumas podas de árvores e, em alguns troço, até a enterrar linhas de energia e de comunicações.
O “blade lifter” é uma base de ancoragem da pá, instalada num camião, que é operada por uma equipa de três pessoas.
Anda a cinco quilómetros/hora e o percurso demora cerca de cinco horas a ser feito. Para causar menos constrangimentos na circulação rodoviária o transporte é feito duas vezes por semana e sobem três pás de cada vez.
GNR acompanha e horários são ajustados
É também acompanhado pela GNR, os horários foram ajustados para impactar o menos possível junto das comunidades, nomeadamente, por exemplo, nos autocarros escolares e existem ainda acessos alternativos.
“É uma atividade que requer todo um cuidado, tem uma equipa especializada só para trabalhar diretamente com este equipamento”, salientou Giancarlo Pedro.
Giancarlo Pedro explicou ainda que cada aerogerador tem 7,2 megawatts de potência e que estas são máquinas de última geração.
Maior parque eólico de Portugal
O projeto da Iberdrola Renewables Portugal está dividido em dois parques: o Tâmega Norte que está a ser construído entre Cabeceiras de Basto e Salto e tem 27 aerogeradores e, a cerca de 20 quilómetros de distância, o Tâmega Sul, onde irão ser montados 11 aerogeradores entre Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar.
Este é, segundo a Iberdrola, o maior parque eólico de Portugal e é o “primeiro projeto” com conexão híbrida entre geração hidrelétrica e eólica, ficando ligado ao Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), que inclui as centrais hidroelétricas e as barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, situadas no distrito de Vila Real.
A hibridização das tecnologias eólica e hidroelétrica possibilita o compartilhamento da mesma infraestrutura de conexão ao sistema elétrico, reduzindo os custos e minimizando os impactos ambientais.
O Parque Eólico representa um investimento de 350 milhões de euros, a Iberdrola e prevê uma produção anual de 601 gigawatts/hora (GWh), equivalente ao consumo de 128 mil residências, ou seja, igual aos das cidades de Guimarães e de Braga.
Segundo a empresa, permitirá também evitar mais de 230 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano, vai contribuir para a autonomia energética de Portugal e representa um “passo significativo” para alcançar os objetivos do Plano Nacional de Energia e Clima do país.
Fonte: www.ominho.pt
Crédito das imagens: José Henriques