Brasil e Angola avançam no diálogo cultural em reunião ministerial em Brasília

A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, recebeu nesta segunda-feira  (30) em Brasília o ministro da Cultura de Angola, Filipe Silvino de Pina Zau, e sua comitiva, em uma reunião que reforça o diálogo entre os dois países e abre caminhos para o fortalecimento da cooperação cultural.

O encontro marca um momento relevante na aproximação institucional entre Brasil e Angola, com foco na construção de iniciativas conjuntas e no intercâmbio de experiências nas áreas cultural, linguística e de formação.

Durante a reunião, Margareth Menezes destacou a riqueza cultural compartilhada entre os países e o potencial de ampliação das parcerias a partir dessa base comum.

Segundo a ministra, a diversidade cultural brasileira é um elemento que impulsiona a criatividade e favorece o diálogo internacional:

“Nós temos uma base cultural muito rica, e o nosso povo carrega essas raízes, o que facilita esse processo. Eu sempre digo que a diversidade da cultura brasileira não é um complicador, é um facilitador. São várias visões sobre o mesmo prisma”, afirmou.

A titular da Cultura também ressaltou o momento como oportuno para ampliar as ações conjuntas e consolidar iniciativas estruturantes. “Acredito que este é um momento muito positivo para avançarmos. Aqui no Ministério da Cultura, todos nós vamos trabalhar nesse sentido, colocando o Ministério da Cultura do Brasil à disposição para fortalecer essa irmandade com Angola por meio da cultura”, completou.

Identidade, idioma e cooperação

O ministro da Cultura de Angola, Filipe Zau, destacou a importância da cooperação entre os países, especialmente no campo da valorização das identidades culturais e das línguas africanas.

Para ele, a parceria pode gerar benefícios concretos e contribuir para o fortalecimento das políticas culturais. “Acredito que podemos caminhar juntos e avançar no sentido de gerar mais resultados e benefícios concretos”, disse.

Ele também chamou atenção para a necessidade de ampliar iniciativas voltadas à valorização das línguas nacionais e à cooperação linguística. “Temos muitas conexões, especialmente no que diz respeito à afrodescendência. Compartilhamos origens e referências civilizatórias que precisam ser reconhecidas e retomadas”, afirmou.

O ministro ressaltou ainda o papel da língua portuguesa como elemento de integração entre os países, além da importância de fortalecer a autoestima cultural e a consciência coletiva como parte de um processo mais amplo de afirmação identitária.

A visita da delegação angolana ao Brasil reforça o compromisso dos dois países com a valorização da cultura como eixo estratégico de desenvolvimento e aproximação entre povos historicamente conectados.

Parcerias

Antes da reunião ministerial, a comitiva angolana participou de um encontro com a equipe técnica da Secretaria de Economia Criativa e Fomento Cultural do Ministério da Cultura, no qual foram discutidos aspectos operacionais e dúvidas relacionadas a políticas de incentivo, financiamento e gestão cultural, com foco na operacionalização e funcionamento da Lei Rouanet no Brasil e a criação dos programas especiais, como o Rouanet no Nordeste, e o mais recém lançado, o Rouanet no Interior.

De acordo com o diretor de Fomento Indireto, Odecir Costa, o espaço de diálogo com a comitiva angolana permitiu um diálogo internacional sobre a relevância do fomento indireto para o fortalecimento cultural:

“A troca de experiências com a comitiva de Angola destaca o papel do fomento indireto como ferramenta de democratização da cultura e identidade nacional. Ao apresentar o modelo da Lei Rouanet e nossas estratégias de regionalização do fomento, que levam investimentos a novos territórios e segmentos, fortalecemos a gestão técnica do incentivo cultural e abrimos espaço para cooperação entre Brasil e Angola”, destacou.

Fonte: Ministério da Cultura do Brasil

Crédito da imagem: Filipe Araújo / MinC