O Presidente dos Estados Unidos anunciou este sábado (28/02) que o seu país iniciou “grandes operações de combate no Irão” e que o objetivo é “eliminar ameaças iminentes”.
“A hora da vossa liberdade está ao alcance das mãos”, disse Donald Trump, num vídeo partilhado na rede social Truth, dirigindo-se ao povo iraniano.
Meios de comunicação iranianos noticiaram hoje pelo menos três explosões no centro e norte de Teerão, pouco depois de Israel ter anunciado que tinha lançado ataques contra a República Islâmica.
Os Estados Unidos estão a participar nos ataques, de acordo com um funcionário norte-americano e uma fonte familiarizada com a operação, que falaram com a agência Associated Press sob condição de anonimato, por se tratar de detalhes sobre operações militares sensíveis.
Não é claro o alcance total do envolvimento norte-americano nos ataques e a Casa Branca recusou-se a comentar imediatamente, acrescentou a AP.
As estradas para o complexo de Khamenei no centro de Teerão foram fechadas pelas autoridades, enquanto outras explosões ecoavam pela capital, avançou a AP.
O ataque ocorre no momento em que os Estados Unidos reuniram uma vasta frota de caças e navios de guerra na região para tentar pressionar o Irão a chegar a um acordo sobre o seu programa nuclear.
Trump queria um acordo para restringir o programa nuclear do Irão e vê uma oportunidade de atacar o regime nas dificuldades internas com a crescente dissidência, após protestos que o regime enfrenta em todo o país.
O Irão tem mantido a declaração que tudo fará para evitar uma guerra, mas tem reafirmado ao mesmo tempo o direito de enriquecer urânio destinado ao seu programa de energia nuclear, assim como não quer discutir outras questões, como o programa de mísseis de longo alcance ou o apoio a grupos armados como o Hamas e o Hezbollah.
Não é claro se o Irão retaliará imediatamente, mas o país alertou previamente que militares e bases norte-americanas espalhadas pela região seriam alvos de qualquer retaliação caso fosse atacado.
O ministro israelita da Defesa, Israel Katz, descreveu o ataque como tendo sido feito “para eliminar ameaças”, sem acrescentar detalhes.
Sirenes soaram em todo o território de Israel ao mesmo tempo que o seu espaço aéreo foi fechado. As forças armadas israelitas afirmaram ter emitido um “alerta proativo para preparar a população para a possibilidade de lançamento de mísseis contra o Estado de Israel”.
Vários hospitais em Israel ativaram os seus protocolos de emergência, incluindo a transferência de pacientes e cirurgias para instalações subterrâneas.
Entretanto, novas explosões atingiram Teerão depois de Israel ter anunciado que estava a atacar o país, segundo a agência AP. As autoridades iranianas não divulgaram informações sobre eventuais vítimas dos ataques.
O Irão fechou de imediato o seu espaço aéreo, depois de Israel ter lançado o ataque. O aviso aos pilotos foi emitido quando as primeiras explosões ecoaram por Teerão.
Líder supremo do regime iraniano, Ali Khamenei morreu nos ataques
Israel informou que o corpo de Ali Khamenei foi encontrado, confirmando-se assim a morte do líder supremo do regime.

O acontecimento tem tudo para extremar posições no interior do regime. Os analistas afirmam que a morte do líder pode levar a Guarda Revolucionária Islâmica a endurecer a resposta militar face à agressão de que o país foi alvo no início deste sábado, numa tentativa de vingar a morte de Khamenei.
Pode também acontecer que o regime, por via da Guarda, aumente a repressão interna, precisamente para impedir qualquer nova motivação para uma alteração vinda da população.
Para todos os efeitos, a morte de Ali Khamenei era uma das prioridades da intervenção dos Estados Unidos e de Israel, uma vez que um dos primeiros locais atacados no início do dia foi precisamente a zona onde se supunha que o líder iraniano estaria.
Khamenei foi presidente do Irão de 1981 a 1989. Khamenei nasceu numa família de clérigos, em 1939, na cidade de Mexede e desde jovem dedicou-se à religião.
Foi preso seis vezes por protestar contra o reinado de Mohammad Reza Pahlavi antes de ser enviado para um exílio de três anos. Regressou, tal como aconteceu com o aiatolá Khomeini, para assumir-se como um figura centrais da revolução de 1979.
Durante a guerra entre o Irão e o Iraque, na década de 1980, desenvolveu laços fortes com a Guarda Revolucionária, que acabou por controlar e tornar central na manutenção do regime.
Enquanto presidente, Khamenei tornou-se cada vez mais próximo de Khomeini. Após a sua morte, Ali Khamenei foi selecionado pela restrita Assembleia dos Peritos (que não tem nada a ver com o Parlamento) para ser o novo líder supremo, em junho de 1989, aos 49 anos de idade.
Como líder, Khamenei era o Chefe de Estado do Irão e comandante-em-chefe das forças armadas. Além disso, podia decretar leis e tomar decisões finais de governo em várias questões, como a economia, o meio ambiente e a política externa.
Mais recentemente, Khamenei acabou por ter algumas discordâncias com a Assembleia de Peritos, depois de se saber que estava a manobrar nos bastidores para colocar um dos seus filhos no topo da lista da sua própria sucessão.