Renováveis garantem mais de 80% da eletricidade em janeiro. É o segundo melhor registo a nível europeu

Portugal arrancou 2026 com um dos melhores desempenhos de sempre na produção de eletricidade a partir de fontes renováveis.

Em janeiro, 80,7% da eletricidade gerada em Portugal Continental teve origem renovável, colocando o país no segundo lugar do ranking europeu, apenas atrás da Noruega.

Os dados constam do Boletim Eletricidade Renovável de janeiro de 2026, divulgado pela APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis.

Entre 1 e 31 de janeiro foram produzidos 5 479 GWh de eletricidade, dos quais 4 420 GWh tiveram origem em fontes renováveis, no melhor registo desde abril de 2025, mês marcado pelo apagão que elevou a incorporação renovável para 83,3%.

A produção hídrica e a eólica voltaram a ser determinantes para este resultado. A energia hídrica foi responsável por 36,8% da eletricidade produzida no mês, enquanto a eólica contribuiu com 35,2%. A produção solar representou 4,4% do total.

Segundo a APREN, o aumento da geração renovável foi particularmente relevante num mês em que o consumo de eletricidade atingiu níveis recorde, crescendo 8,3% face a janeiro de 2025.

Este desempenho permitiu a Portugal subir da habitual quarta posição para o segundo lugar entre os países europeus analisados com maior incorporação renovável na geração elétrica. Com 80,7%, Portugal ultrapassou a Dinamarca (78,8%) e ficou apenas atrás da Noruega, que registou uma incorporação renovável de 96,3%.

O boletim destaca ainda a redução da dependência externa. Em janeiro, as importações representaram apenas 5,6% do consumo de eletricidade em Portugal Continental. No mesmo período, registaram-se 210 horas não consecutivas em que a produção renovável foi suficiente para suprir integralmente o consumo nacional.

Do ponto de vista económico, o preço médio horário no Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL) em Portugal fixou-se nos 71,0 euros por megawatt-hora, uma descida de 26,6% face ao período homólogo.

A APREN estima que a elevada incorporação de renováveis tenha permitido uma poupança acumulada de cerca de 703 milhões de euros em janeiro, quando comparada com a produção a partir de centrais de ciclo combinado a gás natural.

Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal