António José Seguro, Presidente da República eleito este domingo (8), dirigiu a primeira palavra do discurso de vitória a quem perdeu a vida na catástrofe que atingiu Portugal nos últimos dias e ainda às empresas e famílias que estão a recompor a sua vida.
“A minha primeira palavra é de pesar pelas 15 vidas perdidas pela catástrofe que nos atingiu e de solidariedade total para quem ainda não consegue fazer a sua vida normal, seja família ou empresa. A solidariedade dos portugueses foi heróica mas não pode nunca substituir o apoio do Estado”, começou por realçar.
António José Seguro tratou logo de deixar um recado ao Governo: “Os 2,5 mil milhões prometidos têm que chegar ao terreno: não vos esquecerei e nem vos abandonarei. Precisamos de um país preparado e não surpreendido. Saúdo todos os que foram votar e que deram voz aos valores que acreditamos. Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia”.
“A maioria que me elegeu extingue-se esta noite. Servirei Portugal no meu próprio estilo, sem amarras, sou livre: a minha liberdade é a garantia da minha independência”, referiu.
O vencedor da noite eleitoral deixou nova mensagem ao Governo e como será a sua relação com o Executivo: “Jamais serei um contrapoder mas serei um Presidente exigente. A estabilidade política é um meio para a governabilidade e não um fim para manter tudo na mesma. Abre-se um novo ciclo de três anos sem eleições: não há desculpas para resolver a saúde, habitação, e na criação de condições de vida para todos os portugueses”.
No discurso de vitória, no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, Seguro foi questionado sobre a duração da legislatura e respondeu: “não será por mim que ela será interrompida”.
“Prometi a lealdade e cooperação institucional com o Governo. Cumprirei a minha palavra. Jamais serei um contrapoder, mas serei um Presidente exigente com as soluções e com os resultados”, enfatizou.
Seguro bate Soares: é o Presidente com maior número de votos de sempre
António José Seguro tornou-se esta doming (8) no Presidente da República eleito com o maior número de votos expressos em 50 anos de democracia, ao superar por (pelo menos) 22.952 votos os 3.459.521 de Mário Soares no sufrágio de 1991.
Na segunda volta das eleições presidenciais, o antigo secretário-geral do Partido Socialista chegou aos 3.482.473 de votos (66,82%) quando a contagem da Comissão Nacional de Eleições encerrou — ficando por apurar 20 freguesias e 7 consulados, de acordo com os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna.
Estas freguesias são as 19 que adiaram as eleições por causa do mau tempo, tendo existido ainda uma situação, no concelho de Odivelas, concretamente na União das Freguesias de Pontinha e Famões, em que não foi possível concretizar a contagem devido a uma falha técnica no sistema de transmissão de dados e a uma inconformidade com as atas.
Até hoje, Mário Soares, na sua reeleição em 1991, tinha sido o Presidente da República eleito com maior número de votos (3.459.521 em mais de oito milhões de eleitores) e maior percentagem (70,35%).
Dos mais de 11 milhões de inscritos para estas eleições presidenciais, mais de quase 3,5 milhões votaram em Seguro, com André Ventura a obter 1.729.381 votos (33,18 %). Já a abstenção ficou nos 49,89%.
Esta foi a 11.ª vez que os portugueses foram chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.
O atual Presidente da República, eleito em 2016, é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.
Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).
Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Diário de Notícias (Portugal)