A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, divulgou uma declaração reagindo ao vago acordo aparentemente alcançado após as conversas entre o presidente Donald Trump e o secretário-geral da NATO (OTAN), Mark Rutte na noite passada. Frederiksen afirma ser “bom e natural” que a segurança do Ártico tenha sido discutida entre o presidente dos EUA e o secretário-geral da NATO aqui em Davos na noite passada”. Mas recorda que a NATO não pode tomar decisões sobre a soberania da Dinamarca e da Groenlândia.
A primeira-ministra escreveu nas redes sociais que a NATO está plenamente ciente da posição da Dinamarca de que qualquer assunto político pode ser negociado, incluindo questões de segurança, investimento e economia – “mas não podemos negociar a nossa soberania”. Desta forma, a Dinamarca tenta recentrar o debate no lugar onde deve estar – entre a Dinamarca e os Estados Unidos – retirando do debate uma organização, a NATO, que nada tem a ver com o assunto,
Entretanto, o jornal ‘The New York Times’ noticia que o acordo EUA-Groenlândia será semelhante ao acordo Reino Unido-Chipre. Diz o jornal que os Estados Unidos deverão ter “pequenas pedaços de terra” dentro da Gronelândia – e ali estarão envolvidos nos direitos de mineração da Gronelândia. Nesse contexto, a ilha estaria aberta a investimentos em infraestruturas suportados pelos Estados Unidos – entre eles infraestruturas militares (como a chamada Cúpula Dourada).
O Tratado de Garantia, que a publicação norte-americana refere, é um tratado entre a Grécia, Turquia e Reino Unido que entrou em vigor em agosto de 1960. Através do acordo, o Reino Unido formalizou a independência da ilha de Chipre, abandonando todas as reivindicações territoriais futuras. Os três Estados tornaram-se garantia do equilíbrio constitucional da República de Chipre. O tratado dava direito de intervenção militar, sob certas condições, às três potências no sentido de restaurar a ordem constitucional se esta for alterada.
Como se sabe, o tratado correu mal. O Reino Unido desinteressou-se de facto pela questão de Chipre – como aliás tinha feito décadas antes com a Palestina – mas a Turquia e a Grécia rapidamente se desentenderam sobre a ilha. A Turquia acabou mesmo por intervir militarmente, tornando independente uma parte da ilha – que continua divida em dois países, mesmo que o norte seja reconhecido apenas pela própria Turquia.
Os desentendimentos entre a Turquia e a Grécia – dois países da NATO – chegaram ao ponto de pré-guerra. A Grécia suspendeu mesmo a sua participação na NATO, dado estar em desacordo com a forma como a organização geriu, na altura, o processo. Décadas mais tarde, a Grécia opor-se-ia, com eficácia, à entrada da Turquia na União Europeia.
Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal