Tensões geopolíticas não travam energias renováveis, diz CEO da EDP

Como abordar as energias renováveis num país que é o maior produtor mundial de petróleo e de gás natural? Este tem sido um tema com que uma empresa portuguesa tem-se deparado nos EUA nas últimas duas décadas.

“Nos EUA não falamos de energia verde: falamos de empregos, criação de valor, energia barata e acesso. Na Europa falamos do mesmo, mas o lado verde tem” de ser destacado, assim como o facto de a Europa ter de importar combustíveis fósseis, disse esta quarta-feira (21) o presidente-executivo da EDP em Davos.

Miguel Stilwell d’Andrade destacou que os “EUA tem muito petróleo e gás”, e os temas da independência energética não têm tanta força como na Europa, mas que a questão da “energia barata é muito importante”.

Na Europa, o gás natural é “mais caro” face aos EUA, daí ser um tema, disse o gestor numa entrevista feita pelo “Financial Times” à margem do Fórum Económico Mundial que decorre esta semana nos Alpes Suíços.

“É claro que na Europa precisamos de ser mais independentes. Não podemos estar dependentes de gás da Rússia, mas devemos reduzir as importações de combustíveis fósseis”, disse sobre o facto de a Europa ter-se limitado a trocar de fornecedor após a invasão russa da Ucrânia.

“A energia pode ser usada como uma arma, devemos evitá-lo”, destacando que a “independência energética e os preços acessíveis”, têm-se tornado mais relevantes nos últimos anos, além da sustentabilidade”, afirmou na entrevista.

Questionado sobre as tensões geopolíticas, o gestor rejeitou que estas questões travem a transição energética em curso.

“Somos muito fortes na Europa, com 12 países. A Ibéria é o nosso foco principal, mas metade da nossa geração renovável está nos EUA. Sentimo-nos muito bem. Em termos de questões geopolíticas, é preciso adaptarmo-nos, mas as razões económicas são a motivação principal para adotar estas tecnologias. Acreditamos na transição energética (…) porque as energias renováveis são as mais competitivas, com preços mais acessíveis”, acrescentou.

“Apesar da geopolítica e de alguma retórica continuamos a [ver as energias renováveis a] avançar. Com o tempo, adaptamo-nos à geopolítica”, garantiu o gestor.

Fonte e crédito da imagem: O Jornal Económico / Portugal