Objetivo do CEPT é que Portugal cresça em valor

O grande objetivo do Conselho Estratégico para a Promoção Turística (CEPT), que se reuniu em Faro pela primeira vez na sexta-feira (16), é que Portugal cresça em valor, e foi confirmado pelo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, que disse aos jornalistas que a maior prioridade é turistas “com maior poder aquisitivo”, para que “a receita cresça a um ritmo superior ao da procura”.

O Governo antecipa uma subida superior a 6% nas receitas do turismo em Portugal em 2026, com aposta em valor, novos mercados, voos e redução da sazonalidade, enquanto ao nível das dormidas o crescimento deverá situar-se entre 2,5% e 3,5%, estimando que este ano possa repetir um desempenho global semelhante ao registado em 2025.

Pedro Machado, que falava aos jornalistas, no final da reunião da CEPT, em Faro, recordou que Portugal passou de 27 mil milhões de euros em receitas em 2024 para mais de 29 mil milhões em 2025, enquanto as dormidas cresceram de 80 para mais de 82 milhões, daí a ambição passar por manter o crescimento da procura e consolidar um modelo mais sustentável do ponto de vista económico.

O governante, citado pela imprensa algarvia, que assistiu a conferência de imprensa, sublinhou que todas as regiões do país apresentaram crescimento, entre 4% e valores acima dos dois dígitos, o que, “confirma a consistência da estratégia nacional de promoção turística”, tendo destacado o Algarve como um dos exemplos mais relevantes, sobretudo na redução da sazonalidade, “um dos problemas estruturais do turismo nacional”, apontou.

A diversificação de mercados foi outro dos eixos destacados pelo secretário de Estado, referindo que o Turismo de Portugal está a olhar, por exemplo, para o México, a Argentina e a Austrália, como apostas de reforço da conectividade aérea.

Nesta consolidação da estratégia externa, Pedro Machado destacou ainda o início das operações da Delta Airlines para Portugal, o reforço do Porto como novo hub da TAP, novas rotas no Algarve, Açores e Madeira, o crescimento do mercado da Coreia do Sul e a retoma dos voos para Telavive, tendo salientado ainda a importância das novas rotas aéreas já asseguradas e em preparação para 2026, no Porto, em Lisboa e no Algarve, bem como nos Açores e na Madeira, bem como a entrada de novas transportadoras aéreas.

O governante não esqueceu também os esforços de Portugal na captação de grandes eventos, tendo destacado a Fórmula 1, no Algarve como um ativo estratégico, com impacto na notoriedade internacional do destino e na capacidade de atrair procura fora da época alta.

Questionado pelos jornalistas sobre o cenário de instabilidade e imprevisibilidade internacional, Pedro Machado reconheceu que o contexto geopolítico constitui um fator de risco para o turismo, mas reforçou a reputação de Portugal no plano da segurança, lembrando que Portugal é “o sexto país mais seguro no ranking internacional”, posicionamento que nos permite captar procura adicional, sobretudo de mercados que conhecem menos bem a Europa, evidenciou.

Assim, a estratégia de promoção turística de Portugal será ampliada para incluir mercados emergentes, tendo em vista fomentar o seu crescimento, dando particular ênfase aos Estados Unidos, o Canadá, o México, Argentina e a Austrália,

Consequentemente, a estratégia define também como prioridade o estabelecimento ou o reforço da presença do Turismo de Portugal em mercados como Estados Unidos e México, o Japão e a Coreia do Sul. Manter-se-á uma sólida presença e atividade nos mercados do Reino Unido, Espanha, Alemanha e França, com foco no incremento das receitas e na redução da sazonalidade.

A promoção externa passa também pela aposta e estímulo da oferta de produtos turísticos diferenciadores, destinados a segmentos mais exigentes, como Turismo Literário, Arte Contemporânea, Arquitetura, Surf, Gastronomia e Enoturismo; as quais devem ser estruturadas de forma a fortalecer a identidade regional e destacar os ativos específicos de cada destino.

Outro ponto central da estratégia é o compromisso com a sustentabilidade, quer ambiental, quer social. Captar turistas comprometidos com a pegada ecológica, reforçando a marca Portugal com iniciativas alinhadas às agendas de ESG (Environmental, Social, and Governance) é um dos objetivos. Esta abordagem também visa promover a internacionalização de empresas e marcas portuguesas, fortalecendo o papel do turismo como um vetor de coesão territorial e social.

Atendendo às prioridades definidas, o CEPT reafirma o objetivo de consolidar Portugal como um destino turístico de referência, promovendo o crescimento económico e a inclusão regional de forma sustentável.

O CEPT é uma estrutura consultiva do Governo em matéria de promoção turística externa e de concertação estratégica, constituída por representantes do Turismo de Portugal, dos governos regionais da Madeira e dos Açores, do setor privado através da Confederação do Turismo de Portugal, das Entidades Regionais de Turismo e das Agências Regionais de Promoção Turística.

O encontro ficou marcado pela apresentação do novo estudo da Marca Portugal (BAV), cujos principais resultados foram partilhados e que será, em breve, disponibilizado a todas as entidades, constituindo uma ferramenta estratégica essencial para a definição das prioridades de promoção externa.

Na reunião, o Turismo de Portugal apresentou ainda os resultados de 2025, enquadrando a evolução do setor e os principais indicadores de desempenho, seguindo-se a intervenção das Regiões de Turismo, que partilharam os seus desafios e prioridades.

Entre os principais temas em destaque: A necessidade de reforçar o investimento na captação de eventos, enquanto motor de notoriedade, valor e diversificação da procura; Um claro foco no crescimento em valor e não apenas em quantidade, promovendo um turismo mais sustentável e qualificado; Os constrangimentos ao nível das infraestruturas aeroportuárias nacionais, que continuam a limitar o crescimento das acessibilidades; A formação e qualificação dos recursos humanos, novamente identificada como um pilar crítico para a competitividade do setor.

Entre os temas destacados esteve a necessidade de reforçar o investimento na captação de eventos internacionais, privilegiando um crescimento em valor em detrimento do aumento do número de visitantes. Foram também abordados os constrangimentos nas infraestruturas aeroportuárias nacionais, apontados como um dos principais fatores limitativos ao crescimento sustentável do turismo.

Um encontro marcado pela partilha, pelo alinhamento estratégico e pela convicção de que o futuro do turismo em Portugal passa por decisões estruturais, colaboração entre entidades e uma visão de longo prazo.

Refira-se que as Regiões de Turismo, convergiram na prioridade de apostar num turismo de maior valor acrescentado, mais sustentável e qualificado, defendendo que o futuro do setor passa por uma abordagem que privilegie qualidade em vez de quantidade.

O Conselho Estratégico para a Promoção Turística é a estrutura consultiva do Governo da República para a promoção externa de Portugal, como destino turístico, e de concertação estratégica entre o Turismo de Portugal, os Governos Regionais dos Açores e da Madeira, a Confederação do Turismo Português, e as Agências Regionais de Promoção Turística e as respetivas Entidades Regionais de Turismo.

Fonte e crédito da imagem: www.publituris.pt