Acordo com Mercosul é estratégico para UE, diz ex-ministro português

Depois de mais de duas décadas de negociações, a União Europeia aprovou na última nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, criando o que será o maior espaço de livre comércio do mundo.

O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez, confirmou que o acordo comercial será assinado no próximo sábado (17/1) em Assunção, no Paraguai, país que ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano.

Para o ex-ministro de Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas, a aprovação do acordo não é apenas uma opção econômica, mas uma necessidade imposta pelo contexto internacional. Segundo ele, a Europa se vê condicionada pela política comercial dos Estados Unidos, especialmente pelo uso de tarifas como instrumento geopolítico.

“Estamos a falar de um acordo histórico para a Europa. Não o fazemos voluntariamente, fazemos porque nos sentimos condicionados pela política americana, pelas tarifas e pela geopolítica”, afirmou em entrevista ao portal português 24 Horas.

Para Relvas, a consolidação de novos mercados tornou-se essencial para garantir crescimento econômico e competitividade ao bloco europeu.

Ele disse que o acordo vai influenciar diretamente a esobretudo nos setores de alimentação e tecnologia. Segundo ele, produtos como vinho, azeite e queijos devem se beneficiar da ampliação do acesso aos mercados sul-americanos.

Alteração estrutural

Na avaliação do ex-ministro, o acordo representa uma mudança estrutural na política econômica da União Europeia.

“Estamos a virar uma página, abrindo um novo espaço de intervenção que, nas próximas décadas, permitirá consolidar o desenvolvimento da América do Sul e, ao mesmo tempo, reforçar o crescimento econômico europeu e a qualidade de vida dos cidadãos”, afirmou.

Relvas também comentou a resistência inicial de países como França, Irlanda, Hungria e Itália, que acabou sendo superada no processo final de aprovação. Para ele, esse cenário chegou a ser visto com entusiasmo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como uma oportunidade para ampliar a influência americana na América do Sul, em meio às disputas comerciais globais.

Na sua percepção, a aprovação do acordo sinaliza que a Europa busca maior autonomia estratégica. “Independentemente da posição dos Estados Unidos, a Europa tem de ter vida própria e ser capaz de olhar para estas oportunidades, seja na América do Sul, seja em mercados como México e Canadá”, concluiu.

Fonte: www.conjur.com.br

Crédito das imagens: https://agenciabrasil.ebc.com.br e Marcos Oliveira/Agência Senado