Marcelo evoca Eça e pede um Portugal com “melhor futuro do que passado”

Na última (e mais curta) mensagem de Ano Novo enquanto Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa pediu um Portugal “com melhor futuro do que passado”, convocando a identidade coletiva dos portugueses e citando Eça de Queiroz para traçar um retrato simultaneamente crítico e esperançoso do país.

Perante um ano que classificou como “singular” – assinalando os 50 anos da Constituição, os 40 da integração europeia e os 30 da CPLP -, Marcelo começou por olhar para fora, desejando paz duradoura em cenários internacionais de guerra como a Ucrânia e o Médio Oriente, sempre com respeito pelos “valores e princípios da Carta das Nações Unidas e o direito internacional direito internacional e sobretudo pela dignidade das pessoas”.

O essencial da mensagem foi, porém, dirigido ao país. Sem menções ou críticas diretas à governação, o chefe de Estado apontou áreas que considera decisivas para o futuro coletivo: “mais saúde, mais educação, mais habitação, mais justiça, ainda mais crescimento, ainda mais emprego e menor pobreza e desigualdade”.

A par disso, sublinhou a necessidade de “mais tolerância” e de um reforço do “sentido de coesão nacional”, defendendo ideias, soluções e pessoas novas.

Numa alusão indireta às eleições presidenciais que se aproximam, Marcelo lembrou que “o povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro”, sempre com a esperança de que seja “diferente e melhor do que o passado”.

Uma referência discreta, mas simbólica, num discurso marcado pela despedida, e que serviu para Marcelo evocar Eça de Queiroz, citando uma passagem de “A Ilustre Casa de Ramires” para descrever os portugueses como um povo de “franqueza, doçura e imensa bondade”, mas também de contradições, melancolia e esperança num milagre salvador. “Sabem vocês quem me lembra? (…) Portugal”, citou.

Ainda assim, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se confiante num “melhor futuro do que passado”. “De certeza, e por uma razão decisiva. Que se chama portugueses”, sublinhou, despedindo-se destas mensagens de Ano Novo com um voto de confiança no país e nos portugueses.

Fonte: Diário de Notícias / Portugal

Crédito da imagem: Rui Ochoa / Presidência da República de Portugal