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Governo convida PS para reunião em setembro, mas ainda sem temas definidos

Depois das três cartas enviadas pelo líder do PS, José Luís Carneiro, ao primeiro-ministro com propostas sobre Habitação, um acordo estratégico para a Defesa e uma proposta sobre emergência hospitalar, o grupo parlamentar socialista recebeu esta semana uma carta do ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, para uma reunião na primeira semana de setembro.

A Renascença sabe que os contactos entre o PS e o Governo ainda estão a ser feitos e que a data do encontro ainda está a ser acertada tendo em conta a agenda do líder socialista, mas tudo aponta que a reunião possa acontecer logo no início do próximo mês.

Ao que a Renascença apurou, a carta enviada pelo ministro dos Assuntos Parlamentares ao líder da bancada socialista, Eurico Brilhante Dias, não inclui os temas que o Governo deseja abordar, atirando para os próximos dias a indicação sobre as áreas que o executivo da AD quer ver discutidas.

A direção de José Luís Carneiro está, assim, na expectativa para saber de que áreas quer o Governo falar com o PS, sendo que a proposta de Orçamento do Estado terá de ser entregue no dia 10 de outubro, precisamente o último dia de campanha eleitoral das autárquicas, e para o qual o executivo precisa de definir parceiros para aprovar o documento.

A Renascença sabe que a direção nacional do PS ainda não terá sido contactada pelo Governo para qualquer conversa formal relacionada com o Orçamento do Estado, sendo que José Luís Carneiro já veio dizer que o partido que lidera só irá definir o sentido de voto depois de apresentado o documento.

O convite surge semanas depois de o Governo se ter entendido com o Chega para alterar a Lei da Nacionalidade que foi, entretanto, chumbada pelo Tribunal Constitucional e para a qual, salienta uma fonte da direção do grupo parlamentar do PS, os socialistas não foram tidos nem achados e após uma reunião entre o secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro que decorreu no final de julho na residência oficial no palacete de São Bento, em Lisboa.

Nesse encontro que durou duas horas, Carneiro avisou que se Montenegro quer diálogo com o PS, é com este partido que deve falar, remetendo para setembro a possibilidade de continuar esta “conversa muito construtiva”.

“Foi transmitido ao senhor primeiro-ministro que, se quer o diálogo com o PS, é com o PS que deve dialogar”, disse, no final do encontro aos jornalistas.

José Luís Carneiro avisou que “o PS não é um partido qualquer”, que “desde a clandestinidade lutou pelas liberdades, pelos direitos e pelas garantias fundamentais”.

É salientado à Renascença por fonte da direção do PS que a carta de Abreu Amorim surge num final de verão em que “as coisas correram muito mal” para o executivo, referindo quer a gestão dos incêndios, quer a crise nas urgências.

Depois da conversa de julho com Montenegro, o líder do PS referiu que “há matérias para o consenso e há matérias para o dissenso” e que o princípio que ficou estabelecido com o primeiro-ministro “é de que este diálogo se manterá no futuro”. Resta saber em que áreas é que será possível encontrar consensos a partir da reunião de setembro.

Fonte: www.rr.pt

Crédito da imagem: Filipe Amorim / Lusa