99% dos exames corrigidos. Ministro não desiste de modelo digital para segunda fase

O ministro da Educação garante que 99% dos exames nacionais estão corrigidos e que as pautas vão ser afixadas na próxima sexta-feira (17), como previsto.

Fernando Alexandre afirmou aos jornalistas que os prazos vão ser cumpridos: “As provas estão quase todas fechadas. A prova que deu mais dificuldades foi a de Português, é a mais difícil de corrigir”, afirmou nesta terça-feira (14).

O Governo anunciou mais um alargamento dos prazos e os professores têm até esta terça-feira para classificar as provas. O ministro diz que a decisão se prende com alguns professores que – por questões de saúde – tiveram de ser substituídos na correção dos exames. “Esses exames não podem ficar por corrigir”.

Quanto às declarações do primeiro-ministro – que acusou alguns professores de criarem problemas no processo –, Fernando Alexandre admite que há sempre resistência à mudança, mas agradeceu aos docentes.

“Há sempre resistência às mudanças, esta é uma mudança grande. O senhor primeiro-ministro reconhece, e todo o Governo reconhece, o grande esforço que os professores estão a fazer. Aliás, nós vamos conseguir cumprir o prazo de sexta-feira e publicar as classificações com todo o rigor, graças aos professores, e por isso um grande muito obrigado aos professores”, respondem em resposta à Renascença.

“Houve provas que tiveram de voltar a ser corrigidas. Deixo um agradecimento especial a todos nesta reta final. Mostra, por um lado, o esforço que está a ser pedido aos professores que nós reconhecemos e agradecemos”, realça.

Já sobre a segunda fase, o ministro recusa a hipótese de voltar à correção em papel: “Estamos a trabalhar já para que as dificuldades que tivemos na primeira fase não ocorram”, prometeu.

Arriscar, arriscar, arriscar

Nesta conferência sobre ciência e inovação, no Centro de Congressos de Lisboa, Fernando Alexandre assistiu sentado na plateia à intervenção de mais de meia hora do primeiro-ministro.

Luís Montenegro não mencionou a palavara “professores” nem uma vez e também não regressou às críticas de “resistência dos docentes” que fez esta terça-feira – preferiu antes reduzir o tema dos exames a um breve recado nas entrelinhas, em consonância com a narrativa adotada pelo governo nos últimos dias de que a classificação digital das provas é para continuar.

“Procuramos sempre que aquilo que decidimos seja o mais adequado e o mais sustentado na realidade, na realidade que temos hoje e na realidade que queremos construir para amanhã. Mas também aí não ignoramos o princípio de que vos falei há pouco, também aí não nos importamos de arriscar”, afiançou.

“Mesmo que, aqui e ali, as coisas possam correr menos bem, nós vamos arriscar na mesma, até por uma razão moral, porque se nós incitamos a sociedade a fazê-lo, nós temos de ser os primeiros também a dar o exemplo.”

Noutro plano, o primeiro-ministro assumiu querer fazer um “parêntesis” e trazer a lume o tema da administração pública. O nome de Pedro Passos Coelho não veio à baila – nem as críticas que fez no jornal Observador às “nomeações políticas” para administração pública –, mas Montenegro lamentou a postura daqueles que fazem considerações “superficiais”.

“Ao invés daqueles que, de forma precipitada e, muitas vezes, superficial, entendem que a valorização da administração pública é apenas uma espécie de benefício que se dá a quem está mais perto de quem comanda os destinos da governação, eu quero aqui dizer, com todas as letras, que o nosso investimento na administração pública é um investimento no serviço prestado ao cidadão, à empresa, à instituição e é essencial para a qualificação do país”, vincou.

À chegada do CCL, o ministro da Educação foi recebido por uma manifestação de bolseiros e investigadores científicos, com cerca de 30 pessoas e onde participava também a Federação Nacional de Professores (FENPROF).

Francisco Gonçalves, secretário-geral, lamentou que a reforma dos organismos do ministério tenha levado a um “desmantelamento” das instituições, que está por trás da precariedade na investigação científica, mas também dos problemas nos exames nacionais.

O líder da FENPROF assinala que Fernando Alexandre decidiu “transformar o modelo que funcionava em algo que não funciona” e que isso obriga a tomar conclusões e a refletir sobre a continuidade da correção digital para a segunda fase dos exames, que arranca ainda neste mês de julho.

“[É preciso] averiguar se a plataforma tem ou não tem credibilidade, tem ou não tem fiabilidade para um processo desta natureza. Por todos os erros reportados, parece-nos claramente que não, mas é necessário que as autoridades competentes façam as suas diligências, a sua investigação e tirem as devidas conclusões”.

Já João Ferreira do PCP pediu “soluções” e que o governo assuma a responsabilidade causada aos estudantes e famílias.

“É evidente que, por responsabilidade do Governo, estamos hoje numa situação absolutamente caótica, que se prevê que se venha a arrastar mais no tempo. Aquilo que é fundamental, e que o Governo ainda não garantiu, é que nenhum estudante sairá prejudicado desta situação caótica “, apelou.

Fonte: www.rr.pt

Crédito da imagem: Tiago Petinga / Lusa