As comemorações do centenário da elevação de Caldas da Rainha a cidade arrancaram nesta quinta-feira (27) e vão prolongar-se até agosto de 2027, comissariadas pelo artista plástico João Paulo Feliciano, responsável pelo programa que será conhecido em outubro.
“O programa que está a ser construído vai ser marcado por momentos chave e coisas que vão acontecer, como espetáculos ou exposições”, mas sobretudo “por iniciativas que são para ficar para futuro, como um programa de edições e publicações”, afirmou João Paulo Feliciano no arranque das comemorações, no dia em que se cumprem 99 anos da elevação de Caldas da Rainha a cidade, em 26 de agosto de 1927.
Segundo a vereadora da Cultura da Câmara das Caldas da Rainha, Conceição Henriques, além da publicação de documentos de conferências a realizar no âmbito das comemorações, “está prevista a edição e a reedição de livros já esgotados”, ligados à história da cidade, do distrito de Leiria.
Caldas da Rainha foi, de acordo com a autarca, elevada à categoria de cidade quando no país “existiam apenas 30 cidades, 18 das quais eram capitais de distrito e quatro capitais de distrito insulares”.
O presidente da Câmara Municipal, Vítor Marques, adiantou ainda que o programa de comemorações irá assentar “em três grandes eixos narrativos: Cidade Revisitada, Cidade Vivida e Cidade Imaginada, procurando estabelecer uma ligação entre a memória, a realidade atual e o futuro da cidade”.
No primeiro eixo, as iniciativas, que serão apresentadas em outubro, integram a valorização da memória e do arquivo, a recolha e organização de fontes, exposições e leituras históricas, publicações, roteiros e a revisitação de protagonistas e momentos marcantes da história das Caldas da Rainha.
O segundo eixo irá centrar-se “na cidade contemporânea, nas suas pessoas, comunidades, instituições e dinâmicas”, de acordo com a autarquia, que pretende promover “o envolvimento da comunidade na construção das comemorações”.
Já no terceiro eixo destacam-se iniciativas de “promoção do pensamento estratégico, da experimentação e da criação de propostas com continuidade para além de 2027”, ano em que João Paulo Feliciano pretende realizar “de 26 de agosto [data do centenário], uma quinta-feira, até ao domingo seguinte, uma jornada contínua de celebrações”.
Debates, encontros temáticos, laboratórios de futuro, projetos-piloto e intervenções artísticas são algumas das iniciativas previstas neste eixo.
O comissário das comemorações, João Paulo Feliciano, é um artista plástico e músico natural das Caldas da Rainha.
Desde 1984, desenvolveu um percurso artístico marcado pela experimentação e pela utilização de múltiplas linguagens e formas de expressão, entre a pintura, desenho, fotografia, vídeo, luz, som, música, design gráfico, arquitetura, instalação e performance.
Ao longo do seu percurso, expôs em diversas instituições nacionais e internacionais, destacando-se as apresentações no Museu de Arte Contemporânea de Serralves (Porto), na Culturgest (Lisboa), na Hayward Gallery (Londres), no Contemporary Arts Center em Cincinnati (Ohio, EUA) e a participação na XXVI Bienal de São Paulo (Brasil).
Foi também responsável pela direção artística do espetáculo Acqua Matrix, apresentado na Expo’98, em Lisboa, e integrou a direção da Bienal Experimenta Design.
Na área da música, fundou os Tina and the Top Ten (1989) e, mais tarde, o Real Combo Lisbonense (2009), tendo desenvolvido ainda colaborações com diversos músicos nacionais e internacionais.
Em 2009, criou a sua própria editora discográfica e produtora musical: a Pataca Discos.
Atualmente, é diretor de arte do recinto do festival Primavera Sound Porto, função que desempenha desde a primeira edição, em 2012.
Fonte e crédito da imagem: Diário de Leiria / Portugal