É uma grande livraria a céu aberto, onde vão estar à venda cerca de 95 mil títulos. A Feira do Livro de Lisboa regressa ao Parque Eduardo VII, com início nesta quarta-feira (27) e segue até o dia 14 de junho, com a presença de 128 participantes que representam 900 chancelas e marcas editoriais.
Ao longo dos dias estão programados mais de três mil eventos em torno do livro. Desde lançamentos, a sessões de autógrafos, passando por debates e atividades para os mais novos, há de tudo um pouco nesta 96.ª edição.
Em entrevista à Renascença, o presidente da APEL, Miguel Pauseiro, explica que se trata de uma “uma iniciativa para leitura pública silenciosa” que visa estimular os hábitos de leitura.
“Queremos criar condições para quem quiser fazer uma leitura tranquila, relaxada, em livro físico, digital ou também na vertente áudio, possa desfrutar de um livro enquanto está espaço da feira”, indica.
Miguel Pauseiro sublinha que “vale a pena ser assinalada esta lógica de que os diferentes formatos dos livros contribuem todos para que se enraízem hábitos de leitura”.
“Sinal de alerta”, apesar de mercado em crescimento
Questionado sobre os índices de leitura em Portugal, o responsável da APEL confirma que “o mercado português continua a crescer”. Contudo, Miguel Pauseiro deixa um alerta quando à venda de livros que poderá não se traduzir em melhores hábitos de leitura.
“É verdade que em 2025 o mercado cresceu globalmente, muito por efeito de alguns fenómenos muito específicos, quer na área da literatura, da banda desenhada e também por outro fenómeno, que são os livros do colorir”.
“Merece alguma prudência quando analisamos estes números, porque nomeadamente a questão dos livros do colorir não se converte diretamente em hábitos de leitura recorrentes e enraizados. Estes fenómenos levam-nos a ter aqui algum sinal de alerta”, sublinha.
A Feira do Livro de Lisboa que é organizada em conjunto entre a APEL e a Câmara Municipal de Lisboa conta este ano com outra novidade. Haverá sessões de cinema aos sábados à noite, em parceria com a Cine Society.
No cartaz do programa “Cine Sábado”, que terá lugar no relvado central do Parque Eduardo VII, haverá a exibição de filmes como “Clube dos Poetas Mortos”, “Parque Jurássico” e “Orgulho e Preconceito”.
Haverá este ano 350 pavilhões em que estarão presentes mais cinco editores do que no ano passado. Miguel Pauseiro faz questão de destacar a renovação do espaço dos pequenos editores.
“Merecem um espaço de muito maior dignidade, muito maior conforto para quem lá trabalha, quem apresenta as suas obras e também quem visita, porque precisa de tempo para ver e perceber o que é que está a ser publicado em Portugal, com promotores, editores e autores, muitos deles também em auto publicação, que estão a apresentar os seus projetos”, explica.
Este ano, a organização da Feira do Livro viu-se envolvida numa polémica. 40 editoras independentes lançaram uma petição contra a sua exclusão desta que é a edição 96 do evento.
A petição, que reuniu na altura mais de duas mil assinaturas em 24 horas, reclamava contra o favorecimento dos grandes grupos editoriais. Questionado sobre o assunto, o presidente da APEL fala agora num clima “muito tranquilo”.
“A situação que refere circunscreveu-se a um participante cuja inscrição foi analisada”, diz Pauseiro, que acrescenta que “não há qualquer intenção da APEL de excluir ninguém”, “muito menos privilegiando outros editores com projetos mais consolidados”, aponta.
Segundo o presidente da APEL, as “questões, com o tempo, seguramente serão esclarecidas e as portas estarão abertas no futuro, porque aqui não há ressentimentos nem mágoas”, refere.
A feira que durará 19 dias contará este ano com sete praças e algumas melhorias na mobilidade, acessibilidade e serviços, aponta Miguel Pauseiro, que destaca o facto da Feira do Livro de Lisboa ter ganho “a distinção de festival acessível, uma iniciativa do Turismo de Portugal, do Instituto Nacional para a Reabilitação, que visa promover e distinguir práticas inclusivas em eventos culturais”.
“É uma grande honra, porque estamos a falar de um evento que movimenta quase um milhão de pessoas, e neste nosso espaço, cabem todos. Não queremos deixar ninguém para trás ou de fora”, afirma Miguel Pauseiro.
O visitante vai também poder contar com música nas noites de sexta-feira. O ciclo “Sextas Há Música” conta com a presença de Éme, Emmy Curl e Gabriel Gomes. Já a programação infantil é marcada pelo regresso da iniciativa “Acampar com Histórias”, na Estufa Fria, pensada para crianças dos 8 e os 10 anos.
Fonte: www.rr.pt
Crédito da imagem: José Sena Goulão / Lusa