Ponto final de Seguro em Madrid, com os olhos postos na reunião com parceiros sociais

“Saio muito feliz desta visita”. António José Seguro faz como Marcelo Rebelo de Sousa e sai da primeira visita oficial a Espanha numa espécie de encantamento, após o contacto com Felipe VI, indiciando a continuação da química que o anterior Presidente da República cultivou ao longo de anos com o homólogo espanhol.

Seguro esteve hora e meia reunido no Palácio Real, em Madrid, com Felipe VI, surgiu sorridente para a fotografia a quatro, com a mulher, Margarida Maldonado Freitas, e o casal real espanhol, com quem falou animadamente em português.

“Esta visita ultrapassou as expetativas, quer em termos de relações entre Estados, quer em termos de relações pessoais que se cimentaram com os Reis de Espanha”, disse António José Seguro, Presidente da República, aos jornalistas na conferência de imprensa que deu na residência do embaixador português em Madrid e que colocou um ponto final na passagem de dois dias por Madrid.

Ao estilo do ditado “mi casa es su casa”, Seguro garantiu que as portas de Portugal estão sempre abertas para os Reis de Espanha, confirmando que os convidou a visitar o país: “Convidei-os, em Portugal, têm uma casa aberta, têm portas abertas, quer dizer, não há um convite objetivo, enfim, haverá com certeza altura para as visitas de Estado”, salientou Seguro, referindo que se cimentou uma relação pessoal “muito boa”.

Elogios de Seguro aos Reis que não se estenderam propriamente ao primeiro-ministro espanhol, com quem o Presidente da República reuniu menos de uma hora no Palácio da Moncloa e com quem Portugal tem uma divergência sobre o conflito no Médio Oriente.

O Governo de Pedro Sánchez tem definido a guerra entre os Estados Unidos e o Irão como uma ilegalidade e Portugal mantém que a América se mantém como parceiro. Seguro prefere acentuar a convergência com Espanha.

“Convergem no essencial. O mundo precisa de paz. Há demasiado sofrimento e os dois Estados estão firmemente dispostos a colaborar em todas as iniciativas que promovam cessar-fogo onde há guerra e que promovam a paz duradoura, porque é de paz que o mundo precisa”, disse António José Seguro, referindo que “também há uma convergência total” para a abertura do estreito de Ormuz.

Não se estendendo muito sobre o conteúdo do encontro com Sánchez, o Presidente da República referiu apenas que se centrou na tentativa de “compreender melhor aquilo que são as dinâmicas no interior da União Europeia e em termos globais, designadamente no âmbito também da NATO”.

Questionado sobre a proposta que Sánchez irá fazer à União Europeia, UE, para acabar com o acordo de amizade UE-Israel, Seguro cortou: “Essa matéria não foi abordada e, como sabe, está no âmbito das competências constitucionais do Governo português”, disse António José Seguro, tendo à sua frente, a assistir, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

Tentando fazer da viagem a Madrid, a primeira fora do país como chefe de Estado, o centro das suas declarações aos jornalistas, Seguro abriu uma exceção e respondeu abertamente a perguntas sobre a reunião que convocou para quarta-feira com os parceiros sociais.

Questionado se não se trata de uma pressão aos sindicatos, patrões e ao próprio Governo, o Presidente da República respondeu direto. “Eu não faço pressão sobre ninguém. O Presidente da República incentiva o diálogo. É isso que os portugueses exigem”, afirmou António José Seguro.

Seguro garante que não se substitui aos parceiros, “nem quer substituir”, avisando que “não compete ao Presidente da República o resultado final” das negociações, deixando o recado, sobretudo, se tudo correr mal e não houver acordo na concertação social. “Isso compete às pessoas, aos intervenientes, ao Governo, aos parceiros sociais. Compete esse resultado”, acrescentou.

A partir de Madrid, Seguro deixa recados a todos, Governo e parceiros sociais, e continua a não dizer o que fará se o diploma que lhe chegar às mãos a partir do Parlamento não tiver o acordo da concertação social.

Por agora, o Presidente da República “respeita os tempos” da concertação social, do Parlamento e avisa que “há de haver uma altura em que o decreto chegue a Belém” e que “aí é a altura de os parceiros sociais e do Parlamento respeitarem o tempo do Presidente da República, porque ele decidirá nessa altura”.

Seguro indicia ainda que a reforma laboral tem de existir, defendendo que as empresas portuguesas “possam ter uma capacidade de penetração maior” em Espanha, por exemplo, “porque isso ajuda a criar mais riqueza em Portugal, melhores postos de trabalho e melhores salários”.

Fonte: www.rr.pt

Crédito da imagem: José Sena Goulão / Lusa